Guia Digital de Doenças Infecciosas e Parasitárias 2006
Fonte: Ministério da Saúde - Secretaria de Vigilância em Saúde - Departamento de Vigilância Epidemiológica - DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS - GUIA DE BOLSO - 4ª edição ampliada - http://dtr2001.saude.gov.br/svs/pub/GBDIP/guia_bolso_4ed.pdf ou http://www.pdamed.com.br/downloads/guia_bolso_4ed.pdf.

Dados de Copyright.
1. Doenças Infecciosas e Parasitárias
1.47. Malária
1.47.1300 Tratamento
O tratamento da malária visa principalmente a interrupção da esquizogonia sangüínea, responsável pela patogenia e manifestações clínicas da infecção. Entretanto, pela diversidade do seu ciclo biológico, é também objetivo da terapêutica proporcionar a erradicação de formas latentes do parasita no ciclo tecidual (hipnozoítos) do P. vivax, evitando assim as recaídas tardias. Além disso, a abordagem terapêutica de pacientes residentes em áreas endêmicas, pode visar também à interrupção da transmissão, pelo uso de drogas que eliminam as formas sexuadas dos parasitos. Para atingir esses objetivos, diversas drogas com diferentes mecanismos de ação são utilizadas, tentando impedir o desenvolvimento do parasito no hospedeiro. O Ministério da Saúde através de uma política nacional de medicamentos para tratamento da malária, disponibiliza gratuitamente essas drogas em todo o território nacional através das unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento adequado e oportuno da malária é hoje o principal alicerce para o controle da doença. A decisão de como tratar o paciente com malária deve ser precedida de informações sobre os seguintes aspectos: gravidade da doença; espécie de plasmódio; idade do paciente; história de exposição anterior à infecção e suscetibilidade dos parasitos aos anti-maláricos convencionais. As principais drogas utilizadas no Brasil para tratamento da malária são:
Tratamento de primeira linha para a região amazônica
Plasmodium vivax
Cloroquina -Comprimidos contendo 250 mg de sal, equivalente a 150 mg de base são os mais usados pelo Ministério da Saúde.
Dosagem - Tanto crianças quanto adultos devem receber uma dose total de 25 mg de base/kg, administrada no transcorrer de 3 dias. Um regime farmacocineticamente adequado consiste em administrar uma dose inicial de 10 mg de base/kg, seguida de 5 mg/kg 6 a 8 horas após e 5 mg/kg em cada um dos dois dias seguintes.
Primaquina - Comprimidos contendo 5,0 mg e 15,0 mg de base como difosfato, eqüivalendo a 8,8 mg e 26,4 mg do sal, respectivamente.
Primaquina para tratamento anti-hipnozoíta em infecções por P. vivax (anti-recaída)
Dosagem - Para a infecção por P. vivax a primaquina deve ser administrada juntamente com um esquizonticida sangüíneo ativo, tal como a cloroquina, a partir do primeiro dia de tratamento, na dose de 0,50 mg de base /kg de peso, diariamente, durante 7 dias.
Plasmodium falciparum
Quinina - Em geral, tanto a apresentação oral quanto a injetável contêm 500 mg do sal de quinina, eqüivalendo a 325 mg da base.
Dosagem -Esquema de quinina associada -30 mg do sal de quinina/kg/dia durante 3 dias, associada a 3,3 mg/kg/dia de doxiciclina, de 12 em 12 horas (exceto para crianças com menos de 8 anos de idade, durante a gravidez e hepatopatas), durante 5 dias, a partir do primeiro dia do uso da quinina;
Primaquina -Como medicamento gametocitocida em infecções por P. falciparum (bloqueador de transmissão) -A dose gametocitocida de primaquina para adultos e crianças é de 0,5-0,75 mg de base/kg em uma única dose, i.e., 30-45 mg de base para um adulto. O tratamento pode ser dado juntamente com uma droga esquizonticida sangüínea eficaz, porém a primaquina não deve ser empregada enquanto não se estabilizar a condição do paciente. Assim, recomenda-se que seja administrado no 5º dia após início do tratamento.
Tratamento de segunda linha para a região amazônica (apenas para o P. falciparum)
Mefloquina -Apresentação em comprimidos contendo 274 mg de cloridrato de mefloquina, equivalente a 250 mg de mefloquina-base. A mefloquina não é disponível para administração parenteral. A dose de mefloquina recomendada para tratamento de malária não complicada em adultos é de 15-20 mg/kg/peso. A melhor solubilidade e maior biodisponibilidade podem ser alcançadas com a ingestão de água antes da administração do medicamento. Sua biodisponibilidade também aumenta se for tomada depois das refeições. A administração do medicamento em doses divididas em intervalos de 6-24 h, melhora substancialmente a tolerância ao medicamento.
Tratamento recomendado para a regão extra-amazônia
Plasmodium vivax
O mesmo esquema recomendado para a região Amazônica.
Plasmodium falciparum
Mefloquina - A dose de mefloquina recomendada para tratamento de malária não complicada em adultos é de 15-20 mg/kg. A administração do medicamento em doses divididas em intervalos de 6-24 horas, melhora substancialmente a tolerância ao medicamento.
Seguem as tabelas contendo resumo terapêutico de todos os esquemas de tratamento acima mencionados.
Tabela 1 -Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium vivax com cloroquena em 3 dias e primaquina em 7 dias.
Tabela 2 -Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium falciparum com quinina em 3 dias + doxiclina em 5 dias + primaquina no 6º dia.
Tabela 3 -Esquema recomendado para tratamento das infecções mistas por Plasmodium vivax + Plasmodium falciparum com mefloquina em dose única e primaquina em 7 dias.
Tabela 4 - Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium malariae com cloroquina em 3 dias.

 




 
 
 
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